Editorial

NOTA DE REPÚDIO AO “VOTE CONSCIENTE!” - Ode aos Excelentíssimos de adiposidades cerebrais.

A cada eleição aumenta a vontade de passar o constrangimento de pagar uma multa de dois reais e uns trocados, em vez de participar de mais uma "festa da democracia". Concorda?

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NOTA DE REPÚDIO AO “VOTE CONSCIENTE!” - Ode aos Excelentíssimos de adiposidades cerebrais.

Nós, integrantes da parte que mais contribui e menos usufrui de um tal establishment, seres pensantes, providos de autoconsciência, um pouco de bom senso, nem sempre de discernimento, cidadãos de bem, desprovidos de foro privilegiado (privilégio popularmente conhecido como blindagem para políticos de carreira e que podem falar idiotices sem que nada lhes aconteçam), MANIFESTAMOS NOSSO REPÚDIO E INDIGNAÇÃO aos clichês sem-vergonha de que devemos “votar com consciência” e/ou “votar certo”. Com a iminência de mais uma “festa da democracia”, o TSE e a grande mídia vão encher a paciência com o discurso de que precisamos pesquisar o passado do candidato, não vender ou trocar o voto e outros conselhos que levarão o Brasil a um final feliz – como se essas atitudes evitassem que outro bando seja eleito e reeleito para uma vida de fartura, excentricidades luxuosas que provocam náusea na maioria da população que precisa levantar cedo e trabalhar de verdade para (sobre)viver e bancar até o auxílio paletó dos Excelentíssimos de adiposidades cerebrais.

(Para fins de evitar cancelamento, o TSE e a grande mídia estão corretos. O cidadão precisa fazer o dever de casa)

REPUDIAMOS qualquer culpa atribuída a nós, o povo, pela escolha dos futuros novos velhos políticos nas urnas. Que culpa temos das opções ruins e medíocres que nos são impostas? Que culpa temos da falta de caráter e psicopatia crônica de políticos e personalidades públicas desde tempos de Território tucuju? Que culpa temos nós de um Sir Ney ter escolhido o Amapá e fazer o favor de contribuir na manutenção do atraso perene dos IDHs da vida? Que culpa temos da quase totalidade de nossos meios de comunicação serem controlados por famílias de políticos, limitando assim o acesso à boa informação, à liberdade de expressão, nos restando apenas assistir a um sensacionalismo barato e espetaculoso da violência urbana e os horários das tábuas da maré?!

INDIGNAMO-NOS com a falta de sensibilidade de tomadores de decisões que somente há pouco introduziram um sistema de climatização em ônibus de linhas urbanas em Macapá, mesmo sabendo que estamos localizados em uma região onde o calor é quase desumano em praticamente o ano todo. INDIGNAMO-NOS com a realidade demasiada injusta para milhares de jovens de saem com os diplomas embaixo do braço, mas têm de se submeterem a corrida maluca que é o concurso público, pois raras são as vagas disponíveis nas respectivas áreas de formação acadêmica. Por vezes, o sonho é deixado de lado para perseguir a dita “estabilidade”. Esse cenário reflete exatamente o modo limitado de pensar (de políticos mesquinhos e gananciosos) de quatro em quatro anos, visando tão somente a reeleição e a perpetuação no poder e a garantia de uma vida de privilégios.

REPUDIAMOS, afinal, toda e qualquer mensagem travestida de politicamente correto, e que subestima nossa inteligência, inclusive a de que devemos votar com consciência, quando na verdade não é ao eleitor que falta essa a virtude da consciência, mas sim aos velhos políticos, das velhas famílias, de um velho Amapá, de um velho Brasil...

Não seria interessante se o cidadão pudesse ir aos canais de tv do rádio fazer propaganda direcionada aos candidatos de como cumprir promessas?! Virtude essa bastante escassa quando o assunto é a classe política brasileira. Um pouco de utopia não faz mal a ninguém. Vida que segue e viva a “festa da democracia”.

PS 1: Seria possível viver, trabalhar, cuidar do espírito e desenvolver a capacidade intelectiva sem acompanhar (consumir) ou participar diretamente da política (partidária) diária? A paz de espírito agradeceria e a esperança em dias melhores se manteria inabalada.

PS 2: A cada eleição aumenta a vontade de passar o constrangimento de pagar uma multa de dois reais e uns trocados, a ter de ir exercer o direito ao voto. Concorda?!

PS 3: Bem-aventurados os homens e mulheres que não têm como fontes únicas de aquisição de conhecimento a grande mídia, televisiva, radiofônica e algumas plataformas digitais que querem fazer-nos crê que o que fazem é jornalismo sério e imparcial.

Macapá, 28 de fevereiro de 2022.

Autor: Eleitor sem poder de mudança.

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