Editorial

Você sabe realmente interpretar um texto? faça um teste

O teste é bem simples, por meio dele é possível ter uma noção sobre seu nível de compreensão, sobretudo de interpretação de textos.

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Você sabe realmente interpretar um texto? faça um teste

Mais adiante, você terá a satisfação de ler um texto de um dos mais notáveis escritores do nosso tempo. E isso, por si só, já vale seu tempo empregado aqui.

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Pois bem, após a leitura, as perguntas serão simples e objetivas: no domínio da compreensão textual, o leitor deverá identificar, a princípio, de qual gênero textual se trata e a tipologia predominante.

No plano da interpretação, o leitor deverá ir além do texto, ou seja, fazer a interação entre o seu conhecimento prévio e os sentidos que o texto emite. Obviamente que diferentes leitores construirão diferentes respostas, porém, não pode fugir daquilo que chamamos de unidade de sentido.

As respostas possíveis estarão logo após o texto. Detalhe: serão apresentados mais de uma forma de resposta, isto é, com palavras diferentes, entretanto, dentro de um mesmo eixo temático, a saber, da mesma unidade de sentido. Em suma, sua tarefa é tentar se aproximar ao máximo das opções de respostas que estarão elencadas após a leitura do texto de Veríssimo.

vamos lá?!

Metamorfose – Luis Fernando Veríssimo

Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ella quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: “Que horror… Preciso acabar com essas baratas…”

Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto com a cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa e encontrou um armário num quarto, e nele, roupa de baixo e um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquiou-se. Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia?… Tinha educação?…. Referências?… Conseguiu a muito custo um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas. Era uma boa faxineira.

Difícil era ser gente… Precisava comprar comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Conhecem-se, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. Vandirene casou-se, teve filhos. Lutou muito, coitada. Filas no Instituto Nacional de Previdência Social. Pouco leite. O marido desempregado… Finalmente acertou na loteria. Quase quatro milhões! Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença. Mas Vandirene mudou. Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer bem, a cuidar onde põe o pronome. Subiu de classe. Contratou babás e entrou na Pontifícia Universidade Católica.

Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado em barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: “Meu Deus!… A casa foi dedetizada há dois dias!…”. Seu último pensamento humano foi para seu dinheiro rendendo na financeira e que o safado do marido, seu herdeiro legal, o usaria. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu cinco minutos depois, mas foram os cinco minutos mais felizes de sua vida. Kafka não significa nada para as baratas…

 

IMPORTANTE: antes de conferir as respostas abaixo, construa você as suas e compare-as, preferencialmente anotando em um papel qualquer.

Relembrando a tarefa:

no domínio da compreensão textual, o leitor deverá identificar, a princípio, de qual gênero textual se trata e a tipologia predominante.

No plano da interpretação, o leitor deverá ir além do texto, ou seja, fazer a interação entre o seu conhecimento prévio e os sentidos que o texto emite. Obviamente que diferentes leitores construirão diferentes respostas, porém, não pode fugir daquilo que chamamos de unidade de sentido.

 RESPOSTAS POSSÍVEIS:

No plano da compreensão: trata-se de uma crônica (sequência temporal e personagem). Tipologia textual predominante: narração.

O leitor, apenas pela leitura do título, deveria perceber o fenômeno da intertextualidade que existe. Pois o título é o mesmo de um dos clássicos da literatura universal - a novela “A metamorfose, de Franz Kafka (1912). No entanto, ter percebido o fenômeno da intertextualidade não é de todo importante para a finalidade do teste proposto inicialmente.

O que vale sobretudo é se o leitor extraiu da crônica de Veríssimo as seguintes ideias:

01: Complexidades/dificuldades impostas pela vida urbana do homem moderno.

02: Dificuldades/desafios e demandas impostas pelo cotidiano da vida adulta a que uma mulher, por exemplo, enfrenta para viver ou sobreviver em meio as mais diferentes adversidades.

03: Pode-se inferir também sobre o quão deslocada ou sem sentido pode ser a vida de um ser humano que tem tudo, no entanto, ao mesmo tempo, sentir um vazio imenso por dentro, a ponto de a própria existência não fazer sentido.

Se houve aproximação ou semelhança de suas percepções a respeito do texto com as respostas acima, seu nível de compreensão e interpretação de textos está num bom nível. Não há fórmula, tampouco uma técnica perfeita para ler um texto e dele depreender todos os sentidos emitidos, explícitos e implícitos existentes, a leitura constante de textos diversos (literários preferencialmente) é o que levará um leitor a alcançar a autonomia na hora de entender de fato um texto, seja ele para concurso/vestibular ou mesmo para desenvolver sua capacidade intelectiva.

 

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Keully Barbosa – Editor do Opinião & Palavras,

Mestre em Letras pela Universidade Federal do Amapá

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